Plano de jogo Volver al Catálogo
Rodrigo Disconzi da Silva

(Entrevista com o MI Rodrigo Disconzi)

¿ QUANDO DEVEMOS FORMULAR UM PLANO ?

1- ANTES DA PARTIDA

A estratégia de uma partida pode ser determinada antes mesmo dos lances serem feitos. Vários fatores podem ser utilizados para tal:

  • o estilo do adversário
  • nosso escore contra ele
  • a situação dos jogadores no torneio
  • o estado de saúde, motivação ou de humor dos jogadores
  • o conhecimento de aberturas dos rivais
  • o conhecimento de finais dos rivais
  • o poder de cálculo de cada um
  • ambos estão em forma ou destreinados ?

Esta “leitura” pré-jogo é na maioria das vezes importante, mas nada impede que, eventualmente, o jogador resolva não penar em nada disto e simplesmente sentar e jogar contra os lances do adversário (principalmente se ele estiver num dia de inspiração criativa ou com autoconfiança elevada).

Uma estratégia pré-jogo pode ser um guia útil no início da partida, ajudando na escolha da abertura e de suas variantes, assim como em pequenas tomadas de decisão. Mas é necessário manter a atenção para que a estratégia pé-jogo não se torne prejudicial.

Por exemplo: “Jogador X precisa ganhar esta rodada, na qual enfrenta adversário Y forte, mas de estilo sólido e que pouco se envolve em confusões desnecessárias e que costuma gastar bastante tempo no relógio. Após estas informações decide que não irá discutir teoria, tentará levar a partida de maneira original e criativa, buscando posições desequilibradas e com chances de ataques para ambos.”

Esta foi sua estratégia pré-jogo. Mas a partida inicia e percorre caminhos não esperados, atingindo uma posição bloqueada e de manobras lentas. Neste caso, o jogador X deve ajustar sua estratégia pré-jogo para a situação real, procurando uma nova estratégia, de acordo com o que a posição precisa, e não de acordo com o que ele quer.

È bastante comum não ocorrer o ajuste e adaptação da estratégia pré-jogo e o jogador X continuar buscando complicar e atacar além do que a posição permite. Após o ajuste necessário, jogador X pode e deve manter a atenção voltada ás oportunidades de ataque e desequilíbrios possíveis, mas respeitando os limites que a posição do tabuleiro abrange.

Muitos dos fatores que utilizamos para formular a estratégia pré-jogo também serão utilizados em situações de definição de plano partidas adentro.

2- NA ABERTURA

Segundo Gligoric, “O meio-jogo é conseqüência lógica da abertura e nele o fundamental é o plano de jogo. Para formar um plano deve-se estudar profundamente as aberturas e analisar sem pressa as partidas dos melhores GM’s. Este estudo proporcionará novas idéias, e estas ajudarão e facilitarão a busca de um plano. A essência do progresso de um jogador radica em assimilar a estratégia das posições e não somente memorizar as jogadas”.

Certamente adquirir conhecimento de aberturas e de partidas clássicas é extremamente útil, mas não é a única solução para aprendermos a traçar um bom plano de jogo na abertura.

Um passo inicial em direção à formulação de um plano de jogo me parece ser o de aceitar que existem vários planos possíveis em todas as posições. A missão do jogador é identificálos e depois escolher aquele que se adapta melhor ao seu nível de jogo (grau  de conhecimento, poder de cálculo, determinação, gosto, etc...)

Isto requer um pouco de humildade e de autoconhecimento, por exemplo: “Em uma certa posição de abertura que o jogador X não conhece profundamente, mas que já viu algumas partidas isoladas, ele sabe que o lance XY foi jogado por Kasparov e que posteriormente ocorrerá outro lance (que ele não lembra) que refuta a variante toda. Mesmo sabendo que a posição é boa, o jogador X talvez não deva efetuar o lance do Kasparov, caso ele não entenda o que está acontecendo na partida nem as idéias da posição. Talvez nem devesse ter jogado tal variante, e sim procurado problemas táticos e estratégicos em aberturas e variantes à altura de seu nível de jogo”.

Mas a moda é contagiante e todos nós sempre queremos, eventualmente, estar próximos aos grandes jogadores, ou ao menos jogando as mesmas posições que eles!

Geralmente os livros de aberturas têm seus capítulos organizados por ordem de jogadas e divisão de variantes pela quantidade de partidas jogadas e qualidade dos jogadores. Acredito que o ideal seria o estudo das aberturas a partir:

  • das estruturas de peões resultantes
  • das rupturas mais freqüentes
  • das manobras de peças previsíveis
  • das operações típicas de flanco ou centrais
  • finais típicos decorrentes da abertura
  • golpes táticos mais comuns

Somente depois de estudar o conjunto de idéias e estratégias, deveria o jogador se preocupar com a ordem exata e transposições de jogadas da abertura. Na prática, muitos jogadores preferem, por economia de tempo e de estudo, escolher sempre somente uma variante em cada bifurcação oferecida pelo livro de aberturas. Desta forma, ele deixa de lado outras possíveis estratégias e manobras que complementariam a compreensão da abertura como um todo.

A escolha de um plano na abertura é um pouco diferente de outras fases do jogo, pois alguns fatores (tempo, espaço, material, estrutura) podem pesar mais que outros, de acordo com:

  • exposição e permanência dos reis no centro
  • quantidade e qualidade do desenvolvimento das peças

Na abertura, um dos lados pode alterar o ritmo da partida trocando material por desenvolvimento (aceleração), trocando desenvolvimento por melhor estrutura de peões (desaceleração), trocando estrutura por iniciativa e ataque ao rei (aceleração), trocando tempo por espaço (desaceleração) e assim por diante. Não é fácil para o iniciante executar estas barganhas, mas saber que elas existem auxilia no momento de escolher as estratégias na abertura e para escolhê-las de acordo com seu estilo próprio de jogo.

Estas trocas de fatores também ocorrem e outras fases do jogo, mas na abertura são mais nítidas, proporcionando miniaturas e nocautes rápidos.

Pulsa aquí para ver una de las partidas incluidas en la Clase 1.


É melhor ter um plano ruim do que não ter nenhum.

Frank Marshall

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